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Doença renal crônica em gatos

Publicado em 09 de May de 2013 por Fernanda Ruiz Comentar

Conheça um dos problemas que mais acometem os felinos e saiba como proteger o seu bichano desse mal

Texto: Matheus Steinmeier / Foto: Vanessa Fermino

Mesmo cansada dos cateteres e soro, Tigresa respondeu bem ao tratamento

 e está se recuperando

Foto: Vanessa Fermino

 

 

Quando o gato Bonno começou a errar a mira na hora do xixi, sua dona, a analista de programação e controle de produção Adriana Serrano, achou estranho. O gato, de pouco mais de 1 ano, sempre teve um lugar fixo para urinar, mas passou a aliviar-se por toda a casa, além de vomitar sempre que se alimentava. “Com tantos sintomas, corri para o médico veterinário com o Bonno”, revela. Ela ainda não sabia, mas a agressão causada pelo cálculo renal já havia tornado seu gato um doente crônico. A doença renal crônica (DRC), conhecida como Insuficiência Renal Crônica, é uma das doenças mais comuns nos felinos, já que eles têm uma grande predisposição a segurar a urina e ingerir menos água. “Isso acontece porque os ancestrais do nosso gato são felinos do deserto. Assim, seus rins evoluíram para extrair a água naturalmente presente nos alimentos”, explica a veterinária e nutróloga Sylvia Angélico. Um estudo realizado na Austrália em 2001 constatou que o número de gatos afetados pode chegar a 20% da população total. Estima-se que seis entre cada dez animais apresentem a doença

 

COMO DIFERENCIAR?

Quando o assunto é doença renal, os veterinários classificam o quadro em: doença renal aguda (DRA) e doença renal crônica (DRC). A chave para diferenciar uma da outra está em como o problema ocorre. “Quando a perda da função renal acontece de repente, dá-seo nome de DRA. Já quando surge gradualmente é chamada de DRC”, conta a especialista em medicina felina Marcela Malvini Pimenta. “Existe também a possibilidade de um pacienterenal agudo se tornar crônico, se o rim tiver em torno de 75% dos néfrons danificados”, diz.

CAUSAS E SINTOMAS

Nos casos de DRC, o adoecimento é lento, gradual e praticamente assintomático, mas capaz de acarretar grandes danos ao bichano. Marcela conta que a causa da DRC é multifatorial, podendo ocorrer em razão de alterações no próprio rim, como a nefrite túbulo-intersticial crônica (inflamação do órgão) e existência de cistos renais (vide quadro na pág. 58), ou ainda em decorrência de doenças imunologicamente mediadas, como o linfoma renal. Entre as consequências mais comuns estão os cálculos renais e a ocorrência de infecção urinária. “Na maioria das vezes, as primeiras manifestações da DRC são o aumento do volume urinário e da ingestão de água. Os sintomas relacionados à retençãode toxinas no sangue só aparecem quando a doença encontra-se em estágio avançado. Nesse momento observa-se a presença de náusea, vômitos, diminuição do apetite, perda de peso, letargia, desidratação, entre outros”, ensina Marcela.

EXAMES PARA DIAGNÓSTICO

Ednilse Bissoli, especialista em clínica médica e medicina felina, explica que o diagnóstico da DRC está ligado aos níveis de ureia e creatinina, marcadores da função renal no sangue. “A dosagem de ureia e creatinina aumentam quando os rins não estão filtrando o sangue adequadamente”, esclarece. Essa medição é feita por intermédio da coleta de sangue ou exame de urina. Bissoli aponta que a periodicidade dessas medições pode variar dependendo do estado do pet. “Desde que o gato esteja comendo e bebendo normalmente, pode ser feito a cada dois ou três meses”, completa. Segundo Sylvia, a DRC também pode ser detectada através da ultrassonografia.“Com ela é possível perceber anormalidades nos órgãos,como redução de tamanho, alterações na estrutura interna e externa, e deposição de minerais. Embora não estabeleça um diagnóstico definitivo, permite avaliar a extensão dos danos e estabelecer prognósticos”, afirma.

SÓ PARA CASOS AGUDOS

Processo de filtragem e depuração de substâncias indesejáveis do sangue, nesse caso a creatinina e a ureia, a hemodiálise é indicada apenas para certos casos de doenças renais agudas, quando é preciso controlar uma crise e ganhar tempo para o tratamento fazer efeito. No entanto, segundo Maria Cecília Curado, médica veterinária do Hospital Veterinário Sena Madureira (SP), esse procedimento é realizado exclusivamente em cães, pois os felinos raramente atingem o peso necessário para a realização do exame.“Até cães com menos de 5 kg, ou seja, os de pequeno porte, não podem ser submetidos à hemodiálise”, ressalta.

NÃO TEM CURA

Marcela explica que, como a doença renal crônica não pode ser curada, tudo que a medicina pode oferecer é a possibilidade de evitar ou desacelerar a deterioração dos rins, bem como aliviar as complicações que a doença acarreta no corpo todo.“O tratamento deve ser individualizado, de acordo com os sintomas e alterações de cada paciente. Um dos aspectos fundamentais é manter a hidratação do gato. Para estimulá-lo a tomar água, ofereça sempre água limpa e fresca, em recipientes largos e rasos e de rações úmidas”, ensina. Sylvia completa com dicas que ajudamo pet a não perder o apetite: Gatos gostam de comida cheirosa. Ela tem de ser bem fresca – nada de latas velhas, ressecadas ou mal guardadas, senão eles não comem. Aquecer um pouco a comida ajuda, pois os odores volatilizam mais. Sirva a comida úmida em pequenasquantidades várias vezes ao dia, para que ela não resseque. Caldinho de atum em lata adicionado à comida também ajuda.

TRATAMENTO EFICAZ

Tigresa, gata de estimação de Celeste Gertrudes Gomes Frechaut, é uma doente renal crônica. Após o diagnóstico de sua doença no hospital veterinário, começaram imediatamenteos procedimentos para retardar a evolução do quadro. “A fluidoterapia controlada por meiode bomba de infusão foi a melhor opção para a Tigresa. Começamos com aplicação três vezes por semana. Em alguns meses, diminuímos a dosagem e hoje em dia ela vem ao hospital aos sábados”, conta Maria Cecília. “A energia da Tigresa melhorou muito. Percebi que ela está voltando ao normal e já tem disposição até para brincar”, conta Celeste, aliviada. Marcela Pimenta concorda que, para os gatos com DRC, o tratamento mais indicado é a fluidoterapia, pois ela ajuda a repor a hidratação perdida pelo grande volume de urina.“O próprio donopode fazê-lo em casa, desde que orientado por um veterinário, administrando o soro intravenoso, que não precisa de anestesia. Porém, há animais que precisam ser internados para que essa terapia seja feita por via intravenosa”, diz.

PREVENÇÃO: DICA DE OURO

Em se tratando de doenças crônicas, a prevenção é a opção mais sensata. Luciano Henrique Giovaninni, coordenador do curso de especialização em nefrologia e urologia da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (ANCLIVEPA-SP), informa que “há uma tendência natural a se perder capacidade funcional renal ao longo da vida. Por isso muitos gatos idosos têm sinais de doença renal crônica.” O profissional explica que o problema é quando a perda da função renal ocorre em animais jovens ou adultos. Sua dica para a prevenção é “evitar o uso desnecessário de medicamentos que possam danificar os rins, principalmente os anti-inflamatórios, oferecer dieta balanceada (ração) para a idadeem questão e fazer avaliação periódica com o clínico veterinário”. Além disso, Marcela recomenda dietas úmidas para manter o felino bem hidratado. “Gatos costumam aceitar dietas naturalmente ricas em água, como as rações em sachês ou latas. Ao continuar comendo esse tipo de alimento, o gato adulto manterá mais facilmente a hidratação ideal”, sugere.

MAS A VIDA CONTINUA!

Segundo Ednilse, uma vida comum é possível para muitos gatos com DRC, mas “é preciso avaliações periódicas para controle da doença, exames para monitorar hipertensão arterial, infecções urinárias, cálculos renais e anemia, além de dosar substâncias no sangue,como cálcio, ureia e creatinina.” 





 

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